No domingo ela pediu: espanque-me
Ele a traía sempre às terças-feiras. Ela o traía às quintas.
Certo sábado ele pediu: ponha percevejos no meu arroz.
Ela fez uma comida picante. Acendeu velas azuis. Colocou um tango.
Eles se abraçaram. Sem sentidos.
E aí veio o sangue.
Na sua boca.
Das suas entranhas.
Ela raramente o achara tão sensual.
No domingo ela pediu: espanque-me.
Ele bateu de cinta no seu rosto. Arrancou-lhe um dedo
com o alicate.
Às 10 em ponto eles apagaram as luzes.
Segunda-feira ambos tinham de levantar cedo.
Poema “O Contrato” de Aglaja Veteranyi, na tradução de Fabiana Macchi.
Foto de escada na “House of the Black Madonna”, em Praga, de Mike G. K..

Um Comentário
Seu blog é mesmo uma metáfora do título. A gente clica em “sobre este blog”, pra te conhecer, mas acaba sendo conduzido para uma página onde pode, mais uma vez, clicar em “sobre este blog”, e, de novo, voltar ao início… hehe. Mas valeu o re-post da minha tradução do poema “O Contrato”, de Aglaja Veteranyi. Assim fiquei conhecendo o seu blog também! Um abraço, Fabiana Macchi