A obsessão do mês
Enquanto desenho Lucinda, o que toca é The Wind.
Sei não, viu.
Enquanto desenho Lucinda, o que toca é The Wind.
Sei não, viu.
Delia, oh, Delia Delia all my life
If I hadn’t being shot by Delia
I’d have had her for my wife
Delia’s won, one more round Delia’s won”
O trecho é o refrão da música é do Jonnhy Cash (escuta no post aí abaixo), com mínimas alterações, minhas, para salvar Delia do seu destino original.
ele: o que tá desenhando agora?
eu: Delia
ele: Delia, oh, Delia?
eu: é
ele: ai, muda a história, por favor. Não deixa ela morrer.
Então temos um desenho sendo terminado e a trilha.
“Berenice”, de Edgar Allan Poe, na versão reload. O primeiro desenho foi este aqui. Depois, quando fiz Ligéia, achei a Berenice muito despossuída, coitadinha. Merecia uma reforma geral.

(…)
“Estremecendo ao meu contato, deixou cair a cabeça, desprendidos, os fúnebres enfaixamentos que a circundavam, e dali se espalharam, na atmosfera agitada pelo vento do quarto, compactas massas de longos e revoltos cabelos: e eram mais negros do que as asas de corvo da meia-noite! E então se abriram vagarosamente os olhos do vulto que estava à minha frente. Aqui estão, afinal – chamei em voz alta -, nunca poderei enganar-me … Estes são os olhos grandes, negros e estranhos de meu perdido amor…de lady. . . de lady Ligéia!”
O trechinho é de “Ligeia”, de Edgar Allan Poe. Original em inglês aqui; tradução para português/Brasil aqui.
O desenho é meu.
i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
Trecho de “i carry your heart with me” de ee cummings. Mais dele aqui.
A foto é de Matthia Shaker.

Ele a traía sempre às terças-feiras. Ela o traía às quintas.
Certo sábado ele pediu: ponha percevejos no meu arroz.
Ela fez uma comida picante. Acendeu velas azuis. Colocou um tango.
Eles se abraçaram. Sem sentidos.
E aí veio o sangue.
Na sua boca.
Das suas entranhas.
Ela raramente o achara tão sensual.
No domingo ela pediu: espanque-me.
Ele bateu de cinta no seu rosto. Arrancou-lhe um dedo
com o alicate.
Às 10 em ponto eles apagaram as luzes.
Segunda-feira ambos tinham de levantar cedo.
Poema “O Contrato” de Aglaja Veteranyi, na tradução de Fabiana Macchi.
Foto de escada na “House of the Black Madonna”, em Praga, de Mike G. K..
A foto é de Ko Phi Phi, do Flávio.

“Ela, vagueando pela vida, despreocupada, sem pensar nas sombras do caminho, ou no vôo das horas, tão silencioso como as asas de um corvo. Berenice! – invoco o seu nome – Berenice! – e das cinzentas ruínas da memória mil lembranças em tumulto se agitam ante esse som.”
O trecho é de “Berenice”, de Edgar Allan Poe. Original em inglês aqui; tradução para português/Brasil aqui.
O desenho é meu.
I’m gonna watch the blue birds fly over my shoulder
I’m gonna watch them pass me by
Maybe when I’m older
What do you think I’d see
If I could walk away from me
Candy Says, de Lou Red (da época do The Velvet Uderground)
Não tenho pressa nem planos, mas já escrevi sobre a última frase antes de morrer (texto aqui). O lugar de morrer, nunca falei a ninguém, escolhi em 1998. Torrent de Pareis.
Lua, lua, lua, lua
Por um momento meu canto contigo compactua
E mesmo o vento canta-se
Compacto no tempo
Estanca
Branca, branca, branca, branca
A minha, nossa voz atua sendo silêncio
Meu canto não tem nada a ver com a lua

Foto Spiral Stairs de 5y12u3k.
Trilha sonora direto da minha infância, por Caetano Veloso. Ouça aqui.
Ainda sobre o tema, e.e.cummings, sublime, aqui.
(…)
-what does it all come down to? love? Love
if you like and i like,for the reason that i
hate people and lean out of this window is love,love
and the reason that i laugh and breathe is oh love and the reason
that i do not fall into this street is love.”
e.e.cumming do dia. Mais aqui.
Foto de Godoirum Bassanensis.